Sentada na rocha
De olhos no mar
Menina-Sem-Nome
Não sabe chorar.
Queimada do sol
Corpo franzino
Ignora o passado
Ignora o destino.
Vivia na rocha
Tal como uma lapa
E somente tinha
Uma velha capa.
Vivia sozinha
De noite e de dia
Até que um velho
Fez-lhe companhia.
Era um velho sábio
Das coisas do Mundo
E pela natureza
Tinha amor profundo.
Menina-Sem-Nome
O velho cobriu
Com a sua capa
Quando ele partiu...
"Parto - disse o velho -
mas a capa fica,
tu pensas que é pobre
mas é capa rica.
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Menina-Sem-Nome
Mulher se tornou
E gente mesquinha
Bruxa lhe chamou.
Queimar as bruxas
Impunha a lei
- então ela foi
presença do rei.
O rei logo viu
A sua inocência,
Mandou-a embora
Com ar de clemência.
E quando morreu
Velha sem esperança,
Deixou ao tal rei
A sua herança.
A capa velhinha
Com ouro e dinheiro
Que lhe deixara
O seu companheiro.
Só tal descobriu
À hora da morte
Morria assim rica
A pobre sem sorte.
Mais conta a lenda
Que de "capa rica"
Nasceu outro nome,
Nasceu "CAPARICA". |