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Lenda
da Caparica
Extraído com
algumas alterações de:
(© Agenda Cultural da C.M. de Almada - Jan96 - baseado
no opúsculo de António Correia - Caparica - a sua
Romântica Lenda
Vivia numa pelas redondezas de uma povoação sobranceiras
ao mar, por cima das falésias, ao sul do Tejo e a
meio caminho entre um povoado de nome Almada e o Oceano,
uma pobre velhinha, arrastando com dificuldade o seu
corpo magro e seco pelos anos, sempre envolta na sua
capa. Chamavam-lhe bruxa e avarenta, acusando-a
de pedir, pedir sempre, não obstante supor-se-lhe
ela ter muito dinheiro escondido não se sabia onde.
Frequentemente a escorraçavam, com gestos recusando-lhe
a esmola. Não fazendo caso dos insultos, lá se ia
embrulhando na sua capa dando a imagem dos seus muitos
anos a pesa-lhe sobre os ombros. Lá seguia, pacífica,
serena, orando piedosamente, sem azedume, nem sinal
de mágoa.
Um dia apareceu morta na sua pobre e desconfortável
casa, onde aos vizinhos só foi dado entrar depois
que a morte lhes abriu a porta. Lá estava, na sua
humilde cama, envolta na sua capa, na sua rica capa
como lhe chamava. Sobre os restos duma cadeira, um
crucifixo abria os braços complacentes a tanta pobreza.
E sob a pequena estatueta do Cristo apareceu, com
espanto, um sobrescrito fechado, com a indicação de
que fosse entregue ao Rei, juntamente com a capa.
Enterrou-se a velhinha. Mas quando se despojou o corpo
da capa em que estava envolta, notou-se que pesava...
pesava imenso... um peso que os trapos não explicavam.
E com um certo temor, já superstição, a capa
foi dias depois levada ao Rei, com a carta da velha.
O Rei abrindo o subscrito, leu as disposições da velha
que lhe legava a sua capa. Para que Sua Majestade
mandasse construir uma igreja no povoado humilde que
tanto distanciava da mais próxima Igreja. Ao sentir
o seu peso, mandou que o rasgassem. Apenas tinham
começado, quando, no meio do espanto geral, de entre
os primeiros rasgões começaram a cair dobrões em ouro
e, prosseguindo, mais dobrões iam caindo de cada remendo
da capa. Era uma chuva de ouro...O Rei logo ali prometeu
que a igreja se construiria. Fez-se a igreja e o povo
passou a chamar-lhe da CAPA-RICA. CAPARICA.
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