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História da Costa
Do mesmo modo que a Lenda, a história da Costa da Caparica
é-nos apresentada com várias versões. De entre todas
escolhemos a mais concisa e equilibrada.
Terra de grande tradição piscatória, a Costa de Caparica
era antigamente um conjunto de simples pântanos cobertos
de junco, cultivados de arvoredos e vinhas. Mais adiante,
no seu extenso areal, o centro da povoação era formado
por barracas de colmo, ladeadas por singelas e modestas
casas brancas. A sua origem data de meados do século
XVIII. Contudo, esta povoação terá conhecido outras
designações como "Terra de pescado" e "Costa
do mar', aliás, na carta topográfica militar de 1813,
vem designada com o nome de "Cabanas da Costa".
Os seus primeiros habitantes, segundo consta, foram
Pescadores de Ílhavo e Algarve, que atraídos pela safra
da pesca vieram para a Costa pescar nos meses de Outubro,
Novembro e Dezembro, acabando por permanecer e formar
as suas próprias famílias. Muito embora o seu topónimo
esteja relacionado, de certa maneira, com a lenda da
Capa-Rica, a Costa de Caparica é, contudo, uma povoação
de recente data, sendo a mais antiga inscrição, existente,
a do cruzeiro do seu cemitério, datada de 1780. Elevada
a freguesia, em 12 de Fevereiro de 1949, por desanexação
da freguesia da Trafaria, esta vila piscatória foi,
em tempos de outrora, lugar de grandes tradições etnográficas.
Através de consulta a antigos documentos, podemos afirmar
que o traje típico do pescador da Costa, era constituído
por barrete preto, com borla da mesma cor, ceroulas
de lã ou de algodão atadas junto aos tornozelos, ou
calção branco a cobrir os joelhos. Camisa quadricolor,
cinta preta onde guardava o dinheiro e tamancos de madeira.
As mulheres usavam saias rodadas e compridas, blusa
ou corpetes justos, avental, meias brancas e as chinelas
eram pretas ou castanhas. Outro pormenor de realce no
seu trajar, era a maneira de colocar o lenço, sendo
um misto entre as mulheres do Norte e a tricana, ficando
com um nó, um pouco abaixo do carrapito. Sendo a pesca,
o único meio de sobrevivência, os Pescadores da Costa
de Caparica, tinham nas suas embarcações, os Saveiros
e os Meia-Lua, algo de muito de si próprios. António
Correia, grande estudioso da história de Almada, em
especial, da Costa de Caparica, diz-nos num dos seus
trabalhos, dedicado aos barcos típicos da Caparica,
que é sem dúvida notória a sua origem ser dos Romanos,
os quais ao chegarem, com os seus barcos, à nossa costa
marítima, após profundas transformações, deram origem
aos barcos típicos do Norte, como os Moliceiros, as
Bateiras Murtoseiras e o célebre barco de Ílhavo, os
quais, depois com a vinda dos seus pescadores, para
a Costa de Caparica, dariam lugar aos Saveiros e aos
Meia-Lua. Outro pormenor de grande interesse, nos barcos
da Costa da Caparica, era, sem dúvida, o olho que ornamentava
a sua proa, cuja a origem lendária parece ser atribuída
a Ulisses, navegador lendário, simbolizando a divindade
de uma deusa egípcia. Esta típica embarcação de boca
aberta e fundo chato, com a proa e popa muito arqueadas
e levantadas, cujo desaparecimento foi uma perda irremediável
para o nosso património histórico, é hoje somente presença
em antigas gravuras, ou em vistosas miniaturas em museus,
representando uma imagem que morreu no esquecimento
histórico e social.
in "Jornal da Região" de 13.0.1999 por Artur
Vaz.
Informação recebida de:
António Angeja
Ilhavo
antonio.angeja@netvisão.pt
com os agradecimentos de Caparica Online pela colaboração.
Falando dos SAVEIROS ou MEIAS LUAS, nós chamamos-lhes BARCOS DO MAR tudo leva a pensar que a sua origem é PELASGA(pré-helenos), a origem tradicional dos Ilhavos e depois, quando estes fizeram a sua colonização também da Praia de Mira, Cova da Gala, Nazaré, CAPARICA, Sto André, Olhão, Monte Gordo e outros pequenos nucleos.
Os barcos do mar apesar de terem fundo chato possivelmenteno tempo dos pelasgos e até ao século XVI(descobertas) tiveram quilha porque até essa altura a Ria de Aveiro era um golfo em evolução que se degradou bastante desde o sec X. No fim do sec XVI a Ria começou a fechar e foi possivelmente nessa altura que com os fundos baixos da ria e a necessidade de sair da praia os barcos começaram a ter fundos planos. Pouco depois, entre os sec XVII e XIX os Ilhavos partiram e se instalaram na Caparica.
Cá na nossa região, em Vagos, Praia de Mira e Tocha ainda há alguns MEIAS LUAS, mas agora nem as redes nem os barcos são puxados por bois como antigamente, agora utilizam-se guinchos montados em tratores. |